24.09.11

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O Interior

O espaço íntimo, estar dentro, cartografia da intimidade e dos espaços convenientemente privados, internos. Fisiologia do invólucro, penetrar o interior é adentrar espaços secretos, violação de espaços delimitados por barreiras e obstáculos. O interior se opõe ao exterior pelas barreiras, que fecham, guardam, protegem.

Do ponto de vista das expressões geométricas, a dialética do interior e do exterior apoia-se num geometrismo reforçado em que os limites constituem barreiras.

O interior está posto, internamente em cubos, cubos habitados, selados à sua própria consistência interna. Como habitar o interior de um cubo? Como adentrar geometrias tão íntimas?

É o que está exposto que habita o interno, olhar do ponto, um furo conivente a segredos compartilhados. O que é visto e o que é oculto. A exposição e a imposição. O Externo e o Interno.

O Teatro Lambe-Lambe

“A última grande invenção do teatro de animação no mundo”
Álvaro Apocalypse

O Teatro Lambe-Lambe é uma das várias manifestações das quais se constituem o Teatro de Animação Contemporâneo. Dentro de um espaço cênico muito pequeno, uma caixa, são apresentadas peças teatrais de curta duração através da manipulação de bonecos e objetos para apenas um espectador.

O termo refere-se aos fotógrafos de rua que trabalhavam em praças e parques de várias cidades do Brasil no início do século XX. Originalmente, estes fotógrafos utilizavam máquinas, em forma de caixa, onde o processo de revelação consistia em lamber o papel fotosensível.

Assim, o Lambe Lambe é um espetáculo que acontece no invólucro de uma caixa, um mini teatro para um único espectador. Através de um furo na caixa, o público pode experimentar a confidência de um mundo paralelo, uma experiência imagética e poética.

Essas caixas de estórias podem conter um fone de ouvido com trilha sonora e falas gravadas, podem ser manipuladas por uma pessoa que manipula bonecos, formas e sons enquanto o espectador visualiza tudo através de um furo ou serem simplesmente caixas de estórias automáticas onde o público cria suas próprias narrativas de acordo com instruções e elementos contidos no interior.

Tornando possível, de maneira simples e breve, transpor a realidade cotidiana para um universo metafórico, imaginado. Olhar por uma pequena janela, adentrar a caixa, um encontro com o interno, revelação do que está apropriadamente guardado e compartilhado.